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sexta-feira, 15 de junho de 2007

O Telefonema

Eu diria:
"Já estou pronta".

Ela pediria:
"Me espera mais um pouco"


- Alô.
- Queria falar com a Maria.
- Aqui não tem ninguém com este nome.
- Quem fala?
- Você quer falar com quem?
- É da casa da Joana?
- É ela.
- Sou eu o Pedro, peguei seu telefone com a Juliana, queria te dizer que ainda "TE AMO".
- Que bom!
- Você me esqueceu?
- Depende.
- Te vi outro dia, você esta ótima. O tempo não passa pra você.
- Eu tento me cuidar.
- Posso te ligar mais vezes?
- Pode.
- E seu marido?
- É só desligar.
- Me dá seu celular.
- Não.
- Vou desligar, mas não esquece que ainda TE AMO e vou te amar pra sempre, eu tentei mas não consigo esquecer você.
- Eu segui a minha vida.
- Mas não é feliz que eu sei. Diz que ainda me ama.
- Não.
- Ta bom.
- Um beijo.
- Outro.

Joana foi sufocada pelo arrependimento de não falar tudo o que desejava, de dizer incontrolavelmente "EU TE AMO". Quando desligou aquele telefone traçou mais alguns anos de seu destino, procurou-me entre lágrimas pedindo conselhos, o minuto já passou. Já havia se acovardado diante do próprio destino.

A ligação nunca se repetiu, embora ela espere a cada minuto que o telefone toque e alguém diga do outro lado, "AINDA TE AMO!"

Fiquei triste por ela, é a história de amor mais linda que já vi, mas como agora ela deixou que as decisões fossem tomadas pelo acaso, e ele foi cruel com os dois, nunca serão completos, talvez nunca se reencontrem, talvez envelheça esperando outro telefonema.

Pobre Joana.